Feeds:
Posts
Comentários

#RIPAleRocha

Nos conhecemos por causa do Twitter. Tínhamos um amigo em comum. Ele começou a me seguir, eu comecei a segui-lo e, no princípio, trocávamos apenas algumas mensagens sobre televisão – um hobby que acabou se tornando uma ocupação, quando, tendo recebido o diagnóstico de hipertensão pulmonar, resolveu escrever um blog sobre o tema para se distrair.

Um dia descobri que íamos ao mesmo evento de Social Media. Ele já estava lá, eu morava perto e pedi que verificasse para mim o valor do vallet. Nosso amigo em comum pediu que eu desse um abraço nele. A primeira coisa que fiz ao chegar ao evento foi procura-lo e abraça-lo. Conversa vai, conversa vem, não assistimos a uma palestra sequer, e ainda fomos jantar juntos. O que eu sabia sobre ele até então? Nada, exceto que era blogueiro e que tínhamos um amigo em comum. Neste dia, descobri uma pessoa incrível, de bom coração, cujos olhos brilhavam ao falar de rock, do filho e do grande amigo – aquele nosso amigo em comum. Não falamos sobre a doença.

A partir daí, começamos a conversar sobre outros assuntos. Sobre a vida, sobre música, sobre amizades, sobre a lua… Na semana seguinte, recebi um telefonema. Ele ia a uma coletiva de imprensa pela manhã, chegou a São Paulo à noite e queria sair para conversar. Levei-o ao parque e começamos a caminhar. Ele caminhou por 2 minutos e parou em um banquinho. Não conseguia fazer esforços. Que ideia de jerico foi essa de leva-lo a um parque? Foi neste dia que começamos a conversar sobre o diagnóstico e sobre como sua vida se transformou por causa dele.

E, mesmo com tudo o que ele passava e sofria, com o desejo enorme de ter uma saúde boa para andar de bicicleta e jogar bola com o filho, com os cansaços, os desmaios, as compulsões alimentares e a culpa que se sucedia, ainda tinha coragem de me mandar mensagens dizendo que estava preocupado comigo porque eu não postava no Twitter havia dois dias. Me mandava cuidar da gripe. Me intimava a sair de casa para olhar a lua.

No último dia 25 de novembro, completou 35 anos. Desejei a ele que o novo pulmão chegasse rapidinho. E chegou. 5 dias depois, recebi a notícia de que o transplante havia sido realizado com sucesso. Chorei, vibrei, pulei. Fui olhar a lua e agradeci a Deus, erês, santos, cosmos e forças superiores que nunca compreendi. Agradeci por ele, pela família e pelos amigos. Mesmo sabendo que o pós-operatório era arriscado, e que não havia casos de pacientes com HAP sobreviventes ao transplante no Brasil, continuei torcendo, vibrando e acreditando.

Ale não resistiu. Foi Bravo. Lutou o quanto pôde. Dele, levarei sempre a força, o carinho e o brilho nos olhos ao falar de rock, do filho, da lua e do grande amigo. #RIPAleRocha.

Quero tocá-lo, sabe?

Não quero viver essa vida de escritório-casa-escritório-casa-(dízima periódica).

Quero conhecer gente, ver os moicanos azuis na rua, ver as igrejas barrocas, bizantinas e góticas. Sentir, cheirar, tocar.

Quero presenciar a fome das crianças africanas pelos meus olhos, não pelas lentes de Sebastião Salgado.

Quero ver as mais lindas pontes do mundo, e também as mais feinhas, cheias daquela beleza peculiar que só quem vive para sentir o mundo vê.

Quero meditar na Índia, participar de rituais das tribos indígenas do Amazonas, comer frutas que nunca vi.

Quero achar abrigo em uma guerra no Oriente Médio, ver os pinguins andando fora da vitrine, brincar com os golfinhos e tomar um banho de mar no Tahiti.

Quero ver praças, castelos, fortalezas, jardins, oceanos, cânions, riqueza, pobreza, punks, hippies, skinheads, nerds, intelectuais, mães solteiras, pais de 7 filhos, velhos solitários, tulipas, acarajés e cupuaçus.

Quero viver a vida que, sabe-se lá se é uma só, mas que dura a eternidade de uns poucos momentos.

Quero transformar poucos momentos em muitos.

Quero viver desses momentos.

Chega um momento em que a gente precisa saber o que quer.

Descobri uma pós graduação com a minha cara. Fui até a ESPM pegar meu diploma e descobri que não conheço mais ninguém de lá. Me senti velha. Levei meus documentos até a USP. Li dois livros em três dias – enquanto trabalhava por telefone e e-mail. Surtei. Chorei. Tomei meu primeiro calmante. Surtei de novo. Morri de saudades. Fiz a entrevista para a pós. Passei. Pedi demissão. Continuei trabalhando. Negociei minha permanência. Continuei surtando. Fiz duas revistas. Fui parar no pronto-socorro com a pressão nas alturas. Fiz bate-volta Santos-Mauá 4 vezes – saindo às 7h e chegando em casa às 23h30. Fui pra Porto Alegre. Enchi a cara de cerveja Polar. Comi “xis” quatro vezes em cinco dias. Conheci muita gente maluca. Conheci muita gente bacana. Conheci meu clone. Conheci o homem mais bonito do mundo. Toquei gaita. Brinquei de mímica. Rimei “legal” com “bacanal”. Fui a um bar com nome de filme do Woody Allen. Fiquei afim de um careca. Adivinhei nuvens no Parque da Redenção. Assisti ao pôr-do-sol do Guaíba. Comi o melhor sorvete de doce de leite do Brasil. Me joguei ao som de Freedom ’90. Me joguei mais ainda no show da banda gaúcha Absinto 7. Fui confundida com uma travesti. Fiquei brava com um taxista. Comprei uma bolsinha verde de petit pois. Dei risada da galera pedindo “cacetinho” na padaria. E passando “Mumu” no cacetinho. Cantei “Um lugar do caralho”. Me apaixonei pelo “capaz”, e descobri a diferença entre “capaz” e “bem capaz”. Me apaixonei ainda mais pela cidade. Quis ficar em Porto Alegre pra sempre. Não fiquei. Voltei para a realidade. Fechei a terceira revista. Ganhei uma assistente. Minha pós começa na sexta. Não fiz a unha, não cortei o cabelo, não tirei a sobrancelha. Não postei. Até agora.

Reflexão

Do livro A lição final, de Randy Pausch.

“Não podemos trocar as cartas que recebemos, mas apenas pensar como jogar.”

Ontem estava lembrando disso e rindo sozinha. Quando eu era criança, adorava os gibis da Turma da Mônica. E, aos meus 6 anos, eu resolvi: iria ser cartunista. Colocava a folha sulfite por cima do gibi e ficava copiando os desenhos. Meu sonho era trabalhar com o Maurício de Sousa.

Aí, lá pros 7 ou 8, eu descobri que era piadista e decidi que meu destino era ser humorista. Vocês estão rindo aí, né? Pois é, ainda bem que eu logo desisti também!

Então resolvi ser bancária, como minha mãe. Pois assim, eu poderia passar o dia inteiro desenhando no almoxarifado, como eu fazia nas minhas visitas ao banco.

Também quis ser atriz, cantora, psicóloga, pediatra, escritora, poetisa, musicista, roteirista, cineasta e até amazona.

Só não queria ser engenheira, como todo o resto da minha família.

Meu irmão queria ser prático. Mas era complicado. (Sentiram o meu dom para o humor?)

Aí, lá pros meus 14 ou 15 anos, conheci a publicidade santista e achei que ela precisava de mim. Modesta eu, né?

E foi assim que me tornei publicitária. Foi achando que eu sabia escrever, desenhar e mexer no computador. E gostava de ler, e de ver filmes, e de viajar. Achei que bastava ter uma boa bagagem cultural para ser publicitária.

Por que ninguém conta pra gente que a vida real é diferente do nosso mundo cor-de-rosa, né?

Eu sempre gostei de estudar. Não, eu nunca fui muito nerd, mas sim uma pessoa com sede pelo aprendizado. Gosto de aprender qualquer coisa, mesmo que não me sirva para nada. Por isso, ao longo da vida, estudei inglês, alemão, francês, piano, flauta doce, flauta transversal, gaita, violão, natação, patinação, basquete, dança de rua, dança de salão e, ora veja, até pintura em tecido. Não sou um ás em nada disso, mas tenho certeza que, graças à minha paixão por aprender, me tornei multidisciplinar (e nem sei se isso é bom!).

Na escola, na faculdade, em todos os campos da minha vida, eu sempre quis aprender de tudo um pouco. E, bom, agora estou… parada.

Trabalho bastante, faço atendimento, revisão, diagramação, produção, criação, marketing, desenvolvimento de produto – na verdade, faço quase tudo por aqui!

Mas, puxa vida, que saudade que eu tenho de estudar!!!

Estou procurando alternativas, sabe? Não quero jogar fora o que aprendi em Publicidade, mas quero, sim, agregar. Minha mais recente paixão é o Jornalismo, e ando estudando formas de uni-lo ao que já aprendi.

Ao mesmo tempo, não quero estudar em Santos. Adoro minha cidade, mas o ensino por aqui é muito fraco. O que me importa não é o currículo, mas o aprendizado em si. E como trabalhar em Santos e fazer pós em São Paulo?

Aguardem as cenas do próximo capítulo… Tenho certeza que as dúvidas não vão parar por aí.

blindness

Assista! Faça este favor a você mesmo(a)!

É um daqueles filmes que chocam, tocam, assustam e emocionam.

Um filme de Fernando Meirelles, baseado no livro homônimo de José Saramago, com um elenco extraordinário: Juliane Moore, Mark Ruffalo, Gael García Bernal, entre outras feras.

Não gosto de contar a história toda, pra não perder a graça, mas lá vai uma breve sinopse:

O filme começa com um indivíduo no trânsito que, do nada, fica cego. De repente, essa cegueira vai se espalhando pela cidade, e se torna uma epidemia de dar medo. Os contaminados são isolados do resto da sociedade – junto à esposa de um deles, a única que não adquiriu a doença e, portanto, consegue enxergar. A partir daí, todos começam a lutar por suas necessidades básicas, e é realmente chocante. Alguns se perdem neste caminho, mas garanto que o filme passa uma mensagem linda, que vai muito além do que os olhos podem ver.

Gostaria de encerrar minha postagem com uma citação do final do filme, mas busquei loucamente no google e não achei. Se alguém encontrar, pode me mandar?