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Quero tocá-lo, sabe?

Não quero viver essa vida de escritório-casa-escritório-casa-(dízima periódica).

Quero conhecer gente, ver os moicanos azuis na rua, ver as igrejas barrocas, bizantinas e góticas. Sentir, cheirar, tocar.

Quero presenciar a fome das crianças africanas pelos meus olhos, não pelas lentes de Sebastião Salgado.

Quero ver as mais lindas pontes do mundo, e também as mais feinhas, cheias daquela beleza peculiar que só quem vive para sentir o mundo vê.

Quero meditar na Índia, participar de rituais das tribos indígenas do Amazonas, comer frutas que nunca vi.

Quero achar abrigo em uma guerra no Oriente Médio, ver os pinguins andando fora da vitrine, brincar com os golfinhos e tomar um banho de mar no Tahiti.

Quero ver praças, castelos, fortalezas, jardins, oceanos, cânions, riqueza, pobreza, punks, hippies, skinheads, nerds, intelectuais, mães solteiras, pais de 7 filhos, velhos solitários, tulipas, acarajés e cupuaçus.

Quero viver a vida que, sabe-se lá se é uma só, mas que dura a eternidade de uns poucos momentos.

Quero transformar poucos momentos em muitos.

Quero viver desses momentos.

Chega um momento em que a gente precisa saber o que quer.

Descobri uma pós graduação com a minha cara. Fui até a ESPM pegar meu diploma e descobri que não conheço mais ninguém de lá. Me senti velha. Levei meus documentos até a USP. Li dois livros em três dias – enquanto trabalhava por telefone e e-mail. Surtei. Chorei. Tomei meu primeiro calmante. Surtei de novo. Morri de saudades. Fiz a entrevista para a pós. Passei. Pedi demissão. Continuei trabalhando. Negociei minha permanência. Continuei surtando. Fiz duas revistas. Fui parar no pronto-socorro com a pressão nas alturas. Fiz bate-volta Santos-Mauá 4 vezes – saindo às 7h e chegando em casa às 23h30. Fui pra Porto Alegre. Enchi a cara de cerveja Polar. Comi “xis” quatro vezes em cinco dias. Conheci muita gente maluca. Conheci muita gente bacana. Conheci meu clone. Conheci o homem mais bonito do mundo. Toquei gaita. Brinquei de mímica. Rimei “legal” com “bacanal”. Fui a um bar com nome de filme do Woody Allen. Fiquei afim de um careca. Adivinhei nuvens no Parque da Redenção. Assisti ao pôr-do-sol do Guaíba. Comi o melhor sorvete de doce de leite do Brasil. Me joguei ao som de Freedom ’90. Me joguei mais ainda no show da banda gaúcha Absinto 7. Fui confundida com uma travesti. Fiquei brava com um taxista. Comprei uma bolsinha verde de petit pois. Dei risada da galera pedindo “cacetinho” na padaria. E passando “Mumu” no cacetinho. Cantei “Um lugar do caralho”. Me apaixonei pelo “capaz”, e descobri a diferença entre “capaz” e “bem capaz”. Me apaixonei ainda mais pela cidade. Quis ficar em Porto Alegre pra sempre. Não fiquei. Voltei para a realidade. Fechei a terceira revista. Ganhei uma assistente. Minha pós começa na sexta. Não fiz a unha, não cortei o cabelo, não tirei a sobrancelha. Não postei. Até agora.

Reflexão

Do livro A lição final, de Randy Pausch.

“Não podemos trocar as cartas que recebemos, mas apenas pensar como jogar.”

Ontem estava lembrando disso e rindo sozinha. Quando eu era criança, adorava os gibis da Turma da Mônica. E, aos meus 6 anos, eu resolvi: iria ser cartunista. Colocava a folha sulfite por cima do gibi e ficava copiando os desenhos. Meu sonho era trabalhar com o Maurício de Sousa.

Aí, lá pros 7 ou 8, eu descobri que era piadista e decidi que meu destino era ser humorista. Vocês estão rindo aí, né? Pois é, ainda bem que eu logo desisti também!

Então resolvi ser bancária, como minha mãe. Pois assim, eu poderia passar o dia inteiro desenhando no almoxarifado, como eu fazia nas minhas visitas ao banco.

Também quis ser atriz, cantora, psicóloga, pediatra, escritora, poetisa, musicista, roteirista, cineasta e até amazona.

Só não queria ser engenheira, como todo o resto da minha família.

Meu irmão queria ser prático. Mas era complicado. (Sentiram o meu dom para o humor?)

Aí, lá pros meus 14 ou 15 anos, conheci a publicidade santista e achei que ela precisava de mim. Modesta eu, né?

E foi assim que me tornei publicitária. Foi achando que eu sabia escrever, desenhar e mexer no computador. E gostava de ler, e de ver filmes, e de viajar. Achei que bastava ter uma boa bagagem cultural para ser publicitária.

Por que ninguém conta pra gente que a vida real é diferente do nosso mundo cor-de-rosa, né?

Eu sempre gostei de estudar. Não, eu nunca fui muito nerd, mas sim uma pessoa com sede pelo aprendizado. Gosto de aprender qualquer coisa, mesmo que não me sirva para nada. Por isso, ao longo da vida, estudei inglês, alemão, francês, piano, flauta doce, flauta transversal, gaita, violão, natação, patinação, basquete, dança de rua, dança de salão e, ora veja, até pintura em tecido. Não sou um ás em nada disso, mas tenho certeza que, graças à minha paixão por aprender, me tornei multidisciplinar (e nem sei se isso é bom!).

Na escola, na faculdade, em todos os campos da minha vida, eu sempre quis aprender de tudo um pouco. E, bom, agora estou… parada.

Trabalho bastante, faço atendimento, revisão, diagramação, produção, criação, marketing, desenvolvimento de produto – na verdade, faço quase tudo por aqui!

Mas, puxa vida, que saudade que eu tenho de estudar!!!

Estou procurando alternativas, sabe? Não quero jogar fora o que aprendi em Publicidade, mas quero, sim, agregar. Minha mais recente paixão é o Jornalismo, e ando estudando formas de uni-lo ao que já aprendi.

Ao mesmo tempo, não quero estudar em Santos. Adoro minha cidade, mas o ensino por aqui é muito fraco. O que me importa não é o currículo, mas o aprendizado em si. E como trabalhar em Santos e fazer pós em São Paulo?

Aguardem as cenas do próximo capítulo… Tenho certeza que as dúvidas não vão parar por aí.

blindness

Assista! Faça este favor a você mesmo(a)!

É um daqueles filmes que chocam, tocam, assustam e emocionam.

Um filme de Fernando Meirelles, baseado no livro homônimo de José Saramago, com um elenco extraordinário: Juliane Moore, Mark Ruffalo, Gael García Bernal, entre outras feras.

Não gosto de contar a história toda, pra não perder a graça, mas lá vai uma breve sinopse:

O filme começa com um indivíduo no trânsito que, do nada, fica cego. De repente, essa cegueira vai se espalhando pela cidade, e se torna uma epidemia de dar medo. Os contaminados são isolados do resto da sociedade – junto à esposa de um deles, a única que não adquiriu a doença e, portanto, consegue enxergar. A partir daí, todos começam a lutar por suas necessidades básicas, e é realmente chocante. Alguns se perdem neste caminho, mas garanto que o filme passa uma mensagem linda, que vai muito além do que os olhos podem ver.

Gostaria de encerrar minha postagem com uma citação do final do filme, mas busquei loucamente no google e não achei. Se alguém encontrar, pode me mandar?

… Por que saudade dói tanto?

Veja bem, se tem uma coisa que nós, santistas, fazemos é sair para comer. Mesmo porque, em Santos, as baladinhas são péssimas, as casas de show estão todas sem alvará de funcionamento e, dos bares, pouquíssimos se salvam. Por isso, resolvi fazer um guia gastronômico com as minhas impressões culinárias dos lugares que frequento ou frequentei. Quem sabe seja de alguma utilidade para alguém ;)

Comecemos pelos hambúgueres, pois são minha especialidade – além de gostar muito, para quem não sabe, meu PGE (TCC) foi sobre a Hamburgueria The Fifties, em São Paulo.

1) Rockabilly Burger

É onde bato cartão, e com motivo. Você pode optar pelo sanduíche “normal”, que é enorme, ou pelo pequeno que, na verdade, é de um tamanho normal. Todos acompanham fritas. O ambiente é descolado e aconchegante. Pecam um pouco no atendimento, mas algumas poucas garçonetes se salvam e o gerente da casa é gente fina. Custo-benefício excelente. Você come bem, num ambiente gostoso, e deixa uns R$ 25,00 por cabeça, incluindo sanduíche (com fritas!), refrigerante, sobremesa e 10%  de serviço.

2) Gordão

Minha experiência neste lugar não foi das melhores, talvez porque eu tenha ido na semana da inauguração. Mas, para mim, nem isso justificaria a cebola crua no hambúrguer gelado, o barulho infernal do lugar, a demora no atendimento e o fato de terem errado duas vezes o sabor do meu milk shake. Não me recordo ao certo, mas acho que a frustrada experiência me custou uns R$ 35,00 (pelo hambúrguer gelado com fritas murchas e milk shake trocado).

3) Sr. Sanduíche

Quando conheci este lugar, achei a comida ótima, os preços ótimos e o ambiente gostoso, mas lembro-me de ter saído revoltada, pois pedi que o molho viesse num pote separado, para que pudesse molhar minha batata, e me disseram que seria impossível, pois eles só colocam o molho dentro do sanduíche. Tempos depois, meus amigos retornaram ao referido estabelecimento que, além de muito mais caro, agora servia tampa de refrigerante no potinho do catchup. Sensacional! Mas somos brasileiros e não desistimos nunca! Há umas duas semanas, um amigo viu propaganda na TV e matéria na revista, e resolveu ir para comprovar a suposta mudança. Abaixo o pior custo-benefício de Santos:

Ele queria uma porção de batatas smile. Sugeri nuggets, e o garçom disse que poderíamos pedir 1/2 porção de cada. Achamos uma ótima ideia, e ficamos surpresos pela nova flexibilidade do lugar. Adivinhem o que veio? Duas porções de batatas smile! Tudo bem, é só um errinho, a gente pede pra trocar e deixa passar. Pedi um sanduíche SEM SALADA, pois eu NÃO SUPORTO salada no sanduíche. E o que veio? Sanduíche com salada! “-Moço, peloamordedeus, eu não como salada no sanduíche, troca isso pra mim!”. E o que voltou? Batatas cheias de água de alface e uns pedaços de tomate perdidos. Já estava odiando tudo quando mordi o hambúrguer. Cru. Tentei, mas não passei na segunda mordida. Paguei a conta. R$ 35,00 por pessoa (por um hambúrguer cru com a salada que pedi pra tirar, batatas smile e refrigerante).

4) Hamburgueria Santista

Uma doce surpresa! O lugar já deve ter uns 2 anos, mas eu nunca tinha ido, pois meus amigos foram uma vez e detestaram. Como eu gosto de testar para tirar minhas próprias conclusões, fui semana passada. Devo dizer que é um pouco mais caro do que os outros lugares, mas vale a pena! De verdade! Recomendo os sanduíches Canal 6 (hambúrguer com cheddar gostoso e cebolas no shoyu) e o Canal 7 (hambúrguer, queijo, bacon e molho barbecue). Não acompanham fritas, mas você pode pedir separadamente. A porção é farta, e as batatas vêm super crocantes! Os garçons são super simpáticos, o lugar é bem gostoso, e eles trabalham com ingredientes de primeira linha – catchup Heinz, sorvete Häagen Dasz, e por aí vai. Sanduíche delicioso + batata + refri + petit gâteau com sorvete Heinz = pouco menos de R$ 40,00. Recomendo.

5) Romildo

Meu quiosque preferido da praia. Podem dizer o que for, mas eu adoro o lanche de lá! Tenho amigos que dizem que os quiosques da praia não são lá muito higiênicos e aquilo pode me dar dor de barriga. Eu já devo ter os anticorpos para a Salmonella, pois como nestes quiosques desde criança (quando eram traillers ao invés de quiosques!) e nunca tive problemas. Outros reclamam da cadeira, que é de plástico. No meu caso, como eu não ligo nem um pouco para isso, não deixo de adorar. O franguinho com catupiry da (eterna!) promoção é delicioso, e vem em um cone com o pão, batata palha, milho, maionese, salada e vinagrete (peço sem estes dois últimos). Com um refri ou uma latinha de cerveja, você gasta uns R$ 15,00 e ainda curte a brisa do mar.

6) Mc Donald’s

Para não errar, é sempre uma opção, né? Diria que a comida é ótima, mas não é um lugar bacana se for o programa da noite. É bom pra comer e ir embora. Period. Recomendo o da praia, pois, por algum motivo mágico, os lanches estão sempre mais quentinhos e fresquinhos. O do Gonzaga é uma bagunça, e sempre muito barulhento. Os funcionários do Mc do Shopping Praiamar sempre deixam os sanduíches por mais tempo do que o recomendado na estufa, transformando a parte de baixo do seu sanduíche em uma torrada – isso sem falar no barulho e no ambiente do shopping, é claro. O da Santa Casa tem um ambiente gostosinho mas, como tem menos movimento que o da praia, nem sempre você consegue aquele sanduíche feito na hora. Sanduíche + batata + refri + molho barbecue + top sundae = por volta de R$ 20,00.

Estou fechando entre hoje e amanhã a última das 3 revistas que tomaram todo o meu tempo em Julho.

O que isso significa? Que é tempo de cuidar mais de mim. Tá resolvido: hoje mesmo volto para a academia, e sexta-feira retomo a acupuntura.

Quero passar mais tempo comigo… sabe? Curtir mais a minha própria companhia. Assistir um filminho, hidratar o cabelo, fazer as unhas, ler um livro. É tão bom!

Liguei pra ele hoje de manhã pra ver se o material já estava pronto, tudo ok, pode vir buscar o CD.

- Bom, Fulano, tem um porém… estamos esperando o cliente emitir nota, seu pagamento só vai poder ser feito na segunda-feira, tudo bem?

- Vou ter que conversar com a minha sócia, mas quer saber? Tudo bem. Eu confio em você. Sabe, eu sou meio bruxo, e logo que eu vi você, eu soube que você era uma pessoa confiável. Uma pessoa de boa índole e bom coração. Está achando o meu papo estranho?

(eu até estava achando um pouco estranho, vindo de um fornecedor que conheci semana passada, mas pedi que prosseguisse)

- Eu vi nos seus olhos que você é uma pessoa que sofre. Sofre porque tem dificuldade de encontrar pessoas boas como você. Não só de bom coração, mas comprometidas, sabe?

- Sei. É, eu sou assim. (COMO, OH DEUS, ESTE CARA DESCOBRIU TUDO ISSO SOBRE MIM OLHANDO NOS MEUS OLHOS?)

- Toma cuidado, tem uma pessoa no seu meio que não é tão honesta quanto você. Você também é um pouco bruxinha, já deve ter percebido, né?

- … (embasbacada)

- Mas fica tranquila, Larissa, eu gostei de você, confio em você, vou te mandar o CD e na segunda-feira a gente acerta, tá?

- Ótimo. Desculpa qualquer coisa, viu, Fulano? Beijomeliga.

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